Boletim Informativo
Boletim do Emprego na Região Metropolitana de Campinas – Volume 9 | N.06 (Junho) | 2026
Perfil dos Contratados — RMC — Maio de 2026
1 — Indicadores Gerais
Saldo de Maio — RMC (Histórico Novo CAGED)
Em maio de 2026, a RMC fechou o mês com saldo levemente negativo de −180 postos formais (50.300 admissões ante 50.480 desligamentos) — resultado próximo do equilíbrio, mas destoante do padrão observado no mês desde 2021, sempre positivo (entre +327 e +5.614 postos). A única exceção nesse histórico recente é maio de 2020 (−10.725), resultado desproporcionalmente ruim explicado pelos efeitos da pandemia de COVID-19 sobre o mercado de trabalho. Fora esse ano atípico, o resultado de 2026 é o mais fraco da série, o que sugere uma desaceleração pontual na geração líquida de emprego no mês.
No acumulado de 12 meses, a RMC mantém saldo positivo de +6.828 postos — expansão proporcionalmente mais modesta que a de São Paulo (+221.316) e do Brasil (+964.314), mas ainda em território de crescimento. A série dessazonalizada (STL), porém, mostra queda contínua da tendência ao longo do período (de cerca de +1.073 em jun/25 para −399 em mai/26), o que indica que o resultado fraco de maio não é um evento isolado, e sim consistente com uma desaceleração gradual em curso.
2 — Perfil dos Contratados na RMC
2.1 — Por Sexo
O recuo do emprego na RMC em maio é puxado pelo saldo negativo dos homens, com saldo de −1.906 postos, mais que compensando o resultado positivo feminino (+1.726). Esse padrão não é um desvio pontual: no acumulado de 12 meses o segmento masculino também perde postos (−4.825), enquanto o feminino acumula expressivo ganho líquido (+11.653) — ou seja, praticamente toda a criação líquida de emprego formal na RMC no último ano foi puxada pela contratação de mulheres, mesmo com salário médio inferior (R$ 2.304,88 ante R$ 2.589,33 dos homens em maio).
A persistência da retração masculina tanto no mês quanto no acumulado é consistente com a fragilidade dos setores que tipicamente empregam mais homens, o que reforça que o resultado reflete a composição setorial do emprego perdido, e não ruído estatístico.
2.2 — Por Raça/Cor
Por raça/cor, a população branca aparece com saldo negativo tanto em maio (−258) quanto no acumulado de 12 meses (−2.110), enquanto parda responde pelo maior saldo acumulado entre todos os recortes étnico-raciais (+8.635 em 12 meses, com saldo de +16 em maio).
A categoria «Outros» (amarela, indígena e não informado/identificado) é a que mais perde proporcionalmente, tanto no mês (−158) quanto no acumulado (−2.421), mas seu peso reduzido na base (cerca de 1% das admissões) limita o impacto sobre o resultado agregado.
Nota: as categorias Amarela, Indígena, Não informado e Não identificado foram agrupadas em «Outros» por representarem parcelas reduzidas do total.
2.3 — Por Faixa Etária
O perfil etário do emprego na RMC mostra padrão consistente entre o mês e o acumulado: as faixas mais jovens (Até 17 e 18 a 24 anos) concentram os melhores saldos — em maio, +565 e +794 respectivamente, e no acumulado, +8.843 e +14.522 —, refletindo o peso de aprendizes, estagiários e entrada no primeiro emprego. Em contrapartida, a faixa de 25 a 39 anos é a que mais perde postos tanto no mês (−1.110) quanto no acumulado (−9.146), sendo a principal responsável pelo resultado negativo geral de maio.
Destaca-se a faixa de 65 anos ou mais, que registra saldo positivo pontual em maio (+238) após acumular perda de −638 nos doze meses anteriores — um sinal de possível inflexão a monitorar nos próximos meses, para distinguir entre mudança de tendência e oscilação sazonal.
2.4 — Por Escolaridade
No mês, o saldo positivo veio de Ensino Médio Completo (+178) e Superior e Pós-Graduação (+2), enquanto Fundamental Completo (−218) e Sem Ensino Fundamental (−139) recuaram.
No acumulado de 12 meses, o padrão se altera: Ensino Médio Completo segue como o principal motor da criação de emprego na RMC (+9.005), acompanhado por Sem Ensino Fundamental (+1.041), enquanto Fundamental Completo (−1.558) e Superior e Pós-Graduação (−1.479) fecham no negativo. A perda de postos entre os mais qualificados chama atenção por se tratar do segmento com o maior salário médio (R$ 4.138,54 em 12 meses, quase o dobro da média das demais faixas), um sinal a acompanhar nos próximos informativos.
Nota: os níveis de escolaridade foram agrupados em quatro categorias para facilitar a leitura. Registros sem informação (código 80) foram excluídos.
2.5 — Por Setor de Atividade
Por setor, Construção é o principal vetor de retração tanto no mês (−1.222) quanto no acumulado de 12 meses (−2.991), reforçando o diagnóstico já indicado pela leitura por sexo (seção 2.1), já que se trata de um setor que historicamente emprega mais homens. Em sentido oposto, o setor Administrativo (que inclui terceirização e serviços de apoio) lidera o saldo positivo em maio (+673) e mantém saldo positivo no acumulado (+627), consolidando-se como o principal gerador líquido de vagas formais na RMC no curto prazo.
No acumulado de 12 meses, é o setor de Saúde que se destaca como maior gerador líquido de postos (+3.766), à frente do Comércio (+3.065) — setor que, apesar de liderar em volume de admissões tanto no mês (11.529) quanto no acumulado (140.539), tem saldo líquido proporcionalmente modesto, indicativo de alta rotatividade (admissões e desligamentos em níveis muito próximos).
FECHAMENTO — Saldo por Município da RMC
Emprego Formal por Município da RMC — Maio de 2026 e 12 meses
| Município | Adm. Maio | Desl. Maio | Saldo Maio | Adm. 12m | Desl. 12m | Saldo 12m |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Campinas | 22.000 | 20.782 | +1.218 | 254.611 | 251.909 | +2.702 |
| Monte Mor | 1.038 | 863 | +175 | 13.159 | 11.939 | +1.220 |
| Jaguariúna | 1.520 | 1.491 | +29 | 17.685 | 17.419 | +266 |
| Santa Bárbara d'Oeste | 2.483 | 2.455 | +28 | 29.233 | 29.073 | +160 |
| Itatiba | 38 | 22 | +16 | 250 | 313 | −63 |
| Valinhos | 2.004 | 1.991 | +13 | 24.745 | 24.536 | +209 |
| Vinhedo | 1.615 | 1.604 | +11 | 20.126 | 20.161 | −35 |
| Pedreira | 714 | 718 | −4 | 8.259 | 8.258 | +1 |
| Artur Nogueira | 508 | 512 | −4 | 6.192 | 6.149 | +43 |
| Santo Antônio de Posse | 4 | 10 | −6 | 145 | 125 | +20 |
| Indaiatuba | 19 | 29 | −10 | 230 | 238 | −8 |
| Engenheiro Coelho | 131 | 146 | −15 | 2.014 | 1.932 | +82 |
| Nova Odessa | 1.595 | 1.613 | −18 | 18.595 | 18.180 | +415 |
| Morungaba | 100 | 127 | −27 | 1.484 | 1.564 | −80 |
| Sumaré | 3.222 | 3.254 | −32 | 43.162 | 40.737 | +2.425 |
| Cosmópolis | 3.785 | 3.830 | −45 | 46.772 | 46.908 | −136 |
| Hortolândia | 2.430 | 2.503 | −73 | 31.866 | 30.852 | +1.014 |
| Americana | 4.041 | 4.157 | −116 | 45.923 | 45.669 | +254 |
| Holambra | 549 | 1.166 | −617 | 9.194 | 8.317 | +877 |
| Paulínia | 2.504 | 3.207 | −703 | 34.598 | 37.136 | −2.538 |
| Fonte: Observatório PUC-Campinas. Elaboração Própria com base nos microdados do Novo CAGED. | ||||||
Entre os municípios da RMC, Campinas foi o que mais gerou empregos, tanto em maio (+1.218) quanto no acumulado de 12 meses (+2.702) — resultado esperado, já que é a maior cidade da região em população e economia. Paulínia teve o pior resultado em maio: saldo de −703 postos, com −2.538 no acumulado de 12 meses, sendo o único município com perda significativa e constante, o que pode estar relacionado a ajustes nas indústrias petroquímicas da cidade.
Holambra mostra uma virada: depois de acumular saldo positivo de +877 nos últimos 12 meses, registrou saldo negativo de −617 em maio, provavelmente por causa da sazonalidade do setor agrícola.
ABNT (NBR 6023)
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