Boletim Informativo

Boletim do Emprego na Região Metropolitana de Campinas – Volume 9 | N.07 (Julho) | 2026

agosto 2026
Assuntos relacionados:

Perfil dos Contratados — RMC — Junho de 2026

1 — Indicadores Gerais

Saldo de Junho — RMC (Histórico Novo CAGED)

Em junho de 2026, a RMC registrou saldo positivo de +1.249 postos de trabalho formais (50.969 admissões ante 49.720 desligamentos), resultado que sucede dois junhos consecutivos de saldo negativo (2023: −368; 2024: −868). No histórico recente, junho de 2020 (−1.989) constitui exceção atípica, associada aos efeitos da pandemia de COVID-19 sobre o mercado de trabalho; descontado esse ano, o mês alterna resultados moderadamente positivos e negativos, sem configurar tendência definida.

No acumulado de 12 meses, a RMC apresentou saldo positivo de +8.020 postos, expansão proporcionalmente inferior à observada em São Paulo (+216.208) e no Brasil (+942.854). A série dessazonalizada (STL) indica, contudo, trajetória de queda contínua ao longo do período — de aproximadamente +1.073 em jul/25 para +47 em jun/26 —, o que caracteriza o resultado de junho não como evento isolado, mas como manifestação de um processo gradual de perda de fôlego na geração de emprego formal na região.

2 — Perfil dos Contratados na RMC

2.1 — Por Sexo

O resultado positivo do emprego na RMC em junho decorre integralmente da contratação líquida de mulheres (+1.408), que compensou o saldo negativo dos homens (−159). O padrão não é específico do mês: no acumulado de 12 meses, o segmento masculino também registra saldo negativo (−4.442), enquanto o feminino acumula ganho líquido expressivo (+12.462) — ou seja, a criação líquida de emprego formal na RMC no último ano concentrou-se quase inteiramente na contratação de mulheres, ainda que com remuneração média inferior (R$ 2.335,47 ante R$ 2.619,55 dos homens em junho).

A retração do emprego masculino, recorrente tanto no mês quanto no acumulado, é compatível com a fragilidade observada em setores intensivos em mão de obra masculina — Construção Civil (−3.057 em 12 meses) e Indústria de Transformação (−1.814 em 12 meses) —, o que atribui o resultado à composição setorial da perda de postos, e não a variação estatística aleatória.

2.2 — Por Raça/Cor

Por raça/cor, o resultado de junho diverge do padrão observado no acumulado de 12 meses: a população branca registrou saldo positivo no mês (+103), mas permanece negativa na janela de 12 meses (−1.603), o que indica que a recuperação pontual ainda não reverteu a tendência do grupo. Pretos e pardos sustentam a criação líquida de vagas em ambas as janelas, com destaque para a população parda, responsável pelo maior saldo acumulado entre os recortes étnico-raciais (+8.827 em 12 meses; +609 em junho).

A categoria «Outros» (amarela, indígena e não informado/identificado) apresenta a maior perda proporcional, tanto no mês (−32) quanto no acumulado (−2.197); sua reduzida participação na base (cerca de 1% das admissões), contudo, limita o impacto sobre o resultado agregado.

Nota: as categorias Amarela, Indígena, Não informado e Não identificado foram agrupadas em «Outros» por representarem parcelas reduzidas do total.

2.3 — Por Faixa Etária

O perfil etário do emprego na RMC mantém padrão consistente entre o mês e o acumulado: as faixas mais jovens (até 17 e 18 a 24 anos) concentram os maiores saldos — +633 e +1.334 em junho; +8.893 e +14.577 em 12 meses —, reflexo do peso de aprendizes, estagiários e da entrada no primeiro emprego. Em contrapartida, todas as faixas etárias acima de 24 anos encerraram junho em patamar negativo — 25 a 39 anos (−142), 40 a 49 anos (−92), 50 a 65 anos (−324) e 65 anos ou mais (−160) —, com a faixa de 25 a 39 anos respondendo pela maior perda de postos no acumulado de 12 meses (−8.548). O resultado positivo de junho depende, portanto, integralmente da entrada de trabalhadores jovens no mercado formal.

2.4 — Por Escolaridade

No mês, o único grupo com saldo positivo foi o de Ensino Médio Completo (+1.810); os demais recuaram — Sem Ensino Fundamental (−214), Fundamental Completo (−164) e Superior e Pós-Graduação (−95).

No acumulado de 12 meses, o padrão se altera parcialmente: Ensino Médio Completo mantém-se como principal motor da criação de emprego na RMC (+9.981), agora acompanhado por Sem Ensino Fundamental (+822) — que reverte o resultado negativo do mês —, enquanto Fundamental Completo (−1.479) e Superior e Pós-Graduação (−1.104) permanecem no negativo. A perda de postos entre os trabalhadores mais qualificados é digna de nota por se tratar do segmento de maior remuneração média (R$ 4.138,46 em 12 meses, quase o dobro da média das demais faixas) — um indicador a acompanhar nos próximos informativos.

Nota: os níveis de escolaridade foram agrupados em quatro categorias para facilitar a leitura. Registros sem informação (código 80) foram excluídos.

2.5 — Por Setor de Atividade

Por setor, Educação constituiu o principal vetor de retração no mês (−790); no acumulado de 12 meses, a maior perda de postos concentra-se na Construção Civil (−3.057), seguida pela Indústria de Transformação (−1.814) — padrão compatível com a leitura por sexo (seção 2.1), dado tratar-se de setores historicamente intensivos em mão de obra masculina. Em sentido oposto, o Comércio lidera o saldo positivo em junho (+567) e mantém-se positivo no acumulado (+3.072), consolidando-se como um dos principais geradores líquidos de vagas formais na RMC no curto prazo.

No acumulado de 12 meses, o setor de Saúde desponta como o maior gerador líquido de postos (+3.738), à frente do Comércio (+3.072) — setor que, apesar de liderar em volume de admissões tanto no mês (11.813) quanto no acumulado (140.948), apresenta saldo líquido proporcionalmente modesto, o que é indicativo de elevada rotatividade (admissões e desligamentos em níveis muito próximos).

FECHAMENTO — Saldo por Município da RMC

Emprego Formal por Município da RMC — Junho de 2026 e 12 meses

MunicípioAdm. JunhoDesl. JunhoSaldo JunhoAdm. 12mDesl. 12mSaldo 12m
Campinas21.64220.716+926255.346251.669+3.677
Hortolândia3.0812.553+52832.43230.994+1.438
Cosmópolis4.1093.748+36146.91546.830+85
Paulínia2.7022.422+28034.20736.246−2.039
Monte Mor1.134959+17513.36212.005+1.357
Santa Bárbara d'Oeste2.4982.385+11329.38929.173+216
Valinhos2.1412.060+8124.91824.650+268
Artur Nogueira538504+346.2126.149+63
Itatiba2817+11265310−45
Engenheiro Coelho140135+52.0121.915+97
Santo Antônio de Posse37−4144125+19
Indaiatuba916−7220243−23
Morungaba102132−301.4391.559−120
Pedreira649706−578.1928.286−94
Nova Odessa1.5331.593−6018.72218.344+378
Sumaré3.2203.302−8243.31441.057+2.257
Jaguariúna1.5721.709−13717.87817.472+406
Holambra704924−2209.3248.717+607
Americana3.6953.930−23545.97545.986−11
Vinhedo1.4691.902−43319.99620.512−516
Fonte: Observatório PUC-Campinas. Elaboração Própria com base nos microdados do Novo CAGED.

Entre os municípios da RMC, Campinas registrou o maior saldo, tanto em junho (+926) quanto no acumulado de 12 meses (+3.677) — resultado esperado, dado seu peso demográfico e econômico na região. No mês, o pior desempenho coube a Vinhedo, com saldo de −433 postos (−516 no acumulado de 12 meses). Na janela de 12 meses, contudo, a maior perda acumulada é de Paulínia (−2.039), a despeito do saldo positivo registrado em junho (+280) — um indício de possível estabilização, a confirmar nos próximos meses.

Holambra registra inflexão: após acumular saldo positivo de +607 nos últimos 12 meses, apresentou saldo negativo de −220 em junho, provavelmente associado à sazonalidade do setor agrícola.

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