COVID-19 na Região de Campinas

Informativo Covid-19 Campinas  – V2|N22|Semana 22 (30/05 a 05/06) 

Paulo Ricardo S. Oliveira (Coordenador) [1]
André Giglio Bueno [2]
Felipe Pedroso de Lima [3]
Nicholas Rodrigues Neves Le Petit Ramos [4] Beatriz Panciera [5] Giuliano Polli [6]

Até o dia 05/06, o Brasil notificou 16,9 milhões de casos e 472,53 mil mortes pela Covid-19, com uma taxa absoluta média de 62,2 mil novos casos e 1,63 mil novas mortes por dia 7.

Este levantamento apresenta as estatísticas de casos e mortes por 100 mil habitantes, bem como o comportamento das curvas de contágio e óbitos para a semana iniciada em 30/05 e encerrada em 05/06 – semana epidemiológica de número 22, no calendário das autoridades de saúde. A última parte do documento apresenta considerações sobre as questões socioeconômicas e de saúde por parte dos especialistas.

Números da Covid-19 em Campinas (DRS e Região Metropolitana) 

A Tabela 1 apresenta as estatísticas semanais de casos e óbitos para os Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do estado de São Paulo.   

O DRS-Campinas é o segundo em número de casos e óbitos, atrás, apenas, da Grande São Paulo. Até 05/06, foram notificados 361,95 mil casos e 10,52 mil mortes, no DRS Campinas – letalidade de 2,91%. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC8), foram 253,41 mil casos e 7,62 mil óbitos, até o momento – letalidade de 3,01%. Por fim, o município de Campinas registrou 85,76 mil casos até o momento, com 3,38 mil óbitos – letalidade de 3,94% — ver https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/.  

Nesta semana, 17 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde apresentaram taxas crescentes de novos casos, indicando um grave aumento no número de novos casos generalizado no Estado de São Paulo em relação àa semana passada. Contudo, as novas mortes apresentaram taxas decrescentes em 14 dos 17 departamentos do Estado. Em relação à semana anterior, quando o ritmo de avanço da pandemia estava acelerando no DRS-Campinas, os novos casos tiveram um aumento preocupante, mas o número de novos óbitos continua aumentando, assim como na semana passada, como mostram a Tabela 1 e as Figuras 1 e 2.

Figura 1. Curva Epidemiológica Casos Região de Campinas 

Figura 2. Curva Epidemiológica Óbitos Região de Campinas 

Foram registrados, nesta semana, 11,3 mil casos no DRS-Campinas (variação de 51,86%, em relação aos casos registrados na semana anterior). Destes casos, 6,99 mil casos foram registrados na RMC (var. 36,22%) e 1,6 mil casos em Campinas (var. 15,8%). Foram 250 mortes no DRS-Campinas (var. -3,85%, em relação àas mortes registradas na semana anterior). Destas mortes, 167 ocorreram na RMC (var. 9,87%) e 54 em Campinas (var. -15,63%).

As Figuras 2 e 3 mostram os coeficientes de incidência e mortalidade por 100 mil habitantes por municípios. 

Figura 3. Mapa de Casos da Covid-19 nos Municípios do DRS-Campinas e Engenheiro Coelho  

Neste momento, os municípios com maior incidência são Paulínia, Holambra e Santo Antônio de Posse, com 11948,17, 10998,41 e 10486,23 casos por 100 mil habitantes, respectivamente. É válido lembrar que a incidência é fortemente influenciada pela amplitude da testagem em cada município. Esses municípios estão, inclusive, no grupo dos 25% dos municípios com maiores taxas de incidência, no estado de São Paulo, com corte em 9737 casos por 100 mil habitantes. 

Figura 4.  Mapa da Mortalidade pela Covid-19 no DRS-Campinas e Engenheiro Coelho 

Além disso, Jundiaí, Campinas e Santa Bárbara d’Oeste continuam entre os municípios com maior índice de mortes do DRS-Campinas, com 298,02, 287,62 e 286,63 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente. Esses municípios estão, inclusive, no grupo dos 25% dos municípios com maiores taxas de mortalidade, no estado de São Paulo, com corte em 266 mortes por 100 mil habitantes.  

Análise dos especialistas 

Dando continuidade ao que foi decretado pelo Governo do Estado no dia 09/04/2021, todos os departamentos regionais de saúde estão em fase de transição, da fase vermelha para a laranja do Plano São Paulo, desde o dia 18/04/2021. A flexibilização esperada a partir do dia 1o junho não ocorreu devido ao aumento do número de casos de internação no Estado. O Governo estendeu a fase de transição até o dia 13 de junho. Fase em que os estabelecimentos podem operar com ocupação máxima de 40% entre as 6h e 21h. O toque de recolher continua das 22h às 5h, com manutenção da obrigação de teletrabalho para todas as atividades administrativas e recomendação de escalonamento na entrada e saída da indústria, serviços e comércio, na maior parte do estado.

Campinas adotou na última semana uma posição mais dura no combate à pandemia; as preocupações envolviam o feriado do dia 03 de junho. Portanto, barreiras sanitárias foram realizadas nas 20 cidades da Região Metropolitana de Campinas durante o recesso para impedir a propagação do vírus. Ribeirão Preto volta, a partir de segunda-feira (07), às medidas do Plano São Paulo, já que a cidade estava até então em situação emergencial, com o transporte público e atividades econômicas suspensos.

Do ponto de vista da saúde, novas internações no estado e DRS-Campinas permanecem estáveis em patamares muito elevados9. Os números são superiores àqueles da semana 10 (07 a 13/03), quando a fase emergencial foi instituída no estado. Taxas de ocupação de leitos intensivos em Campinas seguem próximas a 100% para os leitos SUS e 93,7% levando em conta os leitos privados, de acordo com o último boletim divulgado em 02/0610, números compatíveis com a fase vermelha do “antigo” Plano São Paulo. Também no dia 02/06 foi publicado decreto que coloca Campinas em estado de calamidade pública, mas não houve até o momento a adoção de medidas mais restritivas pelo município ou por outras cidades da região, com exceção de Amparo, que, diante das taxas de ocupação elevadas em seus hospitais, implantou a fase emergencial a partir de 01/06 e lockdown nos dois fins de semana seguintes11. Observa-se de forma muito clara a ausência de preocupação com a adoção de ações coordenadas e regionalizadas, o que pode limitar a eficácia de medidas isoladas como essa do município de Amparo, uma vez que seus moradores podem facilmente se deslocar a outras cidades próximas e continuarem a se expor a situações de risco. A presença de barreiras sanitárias, adotadas por diversos municípios na região12, tem um impacto muito questionável na redução da circulação de pessoas e geralmente tem uma conotação mais educativa, mas com alcance muitíssimo limitado.

Um novo Dia D foi realizado em Campinas neste último dia 05/06, resultando em mais de 23.000 pessoas vacinadas, demonstrando a grande capacidade de aplicação de doses que os municípios têm. Obviamente seria difícil atingir esse quantitativo nos dias “normais”, mas com 16 “dias D” seria possível imunizar todos os cerca de 320.000 moradores de Campinas que receberam a primeira dose de vacina até o dia 02/0613, após quase 5 meses de campanha de imunização. Comparativos como esse demonstram o quão grave foi o atraso de aquisição de doses de vacina pelo Ministério da Saúde. Muitas mortes plenamente evitáveis ocorreram nesse período. Sem vacinas em quantidade suficiente e sem medidas restritivas na intensidade que a situação demanda, infelizmente muitas outras mortes evitáveis ainda ocorrerão. 

Do ponto de vista econômico e social, a taxa de desemprego alta e crescente (14,7%, 1T/2021), combinada com o ritmo lento da vacinação e o recrudescimento dos casos, preocupa pela provável necessidade da implementação de novas medidas de distanciamento físico. Uma nova onda de casos pode reverter a relativa positividade dos indicadores econômicos regionais e nacionais no 1T/2021.   

Houve crescimento do PIB brasileiro no 1T/2021, de 1,2%. No entanto, os índices de atividades do IBGE, assim como a taxa de desemprego alta, reforçam a tese de ilusão contábil, causada pela reposição de estoques das empresas. Em outras palavras, as empresas não “investiram” na produção e, sim, na reposição de estoques, justificando o crescimento acima do esperado. Sem crescimento na demanda, o crescimento do 1T/2021 não deve se repetir no 2T/2021.  

É preciso ressaltar que o BEm, apesar de forte impacto negativo na manutenção dos níveis de renda, mostrou-se eficaz na estabilização da taxa de desemprego – em níveis altos, é fato — no ano passado. Para salários mais baixos, próximos ao salário mínimo, o impacto na renda individual é pequeno ou nulo, mas para salários maiores, os impactos negativos nos rendimentos são consideráveis. Em 2020, na RMC, foram efetuados aproximadamente 500 mil acordos de flexibilização (28% da mão de obra formal regional), sendo 60% dos acordos para suspensão total ou 70% de redução dos salários e da carga horária.  

Em relação ao emprego, os últimos dados da PNAD-Contínua, para os meses entre jan/2020 e mar/2021, estimam uma taxa de desocupação recorde no Brasil de 14,7% (alta de 0.3 pontos percentuais), patamar que era de 10,5% na primeira semana de maio/2020. No entanto, na RMC, de acordo com dados do Observatório PUC-Campinas, a criação de novos postos de trabalho tem dado sinais de alta – foram 5,3 mil vagas em março/2021, com saldo positivo de 23,7 mil postos no 1T/2021. Também, os dados do setor externo seguem em forte alta com aumentos de 57,2 % nas exportações e 18,2% nas importações do mês de abril de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento das exportações e importações foi generalizado, porém, proporcionalmente mais marcado para produtos de média-alta e alta complexidade, categorias que concentram a maior parte do volume das transações da RMC. 

Em relação aos preços, O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela FGV, atingiu 31,1% em 12 meses, em março/2021.  Esse índice captura, também, aumentos nos custos de insumos que podem ser repassados para o consumidor final em algum momento. O IPCA acumulado de 12 meses atingiu 6,10% em março/21, puxado, sobretudo, pelo aumento continuado do preço da gasolina, quando o centro da meta de inflação para o ano de 2021 é de 3,75%.   

Por fim, as expectativas de retomada para boa parte dos analistas estão bastante ancoradas no avanço e eficácia da vacinação. Até o momento, no DRS-Campinas, aproximadamente 25,8% (var. semanal de +4,0 p.p.) da população recebeu a primeira dose da vacina, enquanto 12,3% (var. semanal de +1,1 p.p.)  recebeu a segunda dose. Seguimos afirmando que, sem medidas realmente efetivas de proteção da renda e do emprego e sem a aceleração na taxa de vacinação, a retomada da atividade econômica nacional e regional pode ser desnecessariamente lenta.

ANEXOS

Covid-19 nos DRS-São Paulo

[1] Professor Extensionista e Economista do Observatório PUC-Campinas, e-mail: paulo.oliveira@puc-campinas.edu.br

[2] Professor e médico infectologista da PUC-Campinas/Hospital e Maternidade Celso Pierro

[3] Graduando em Geografia e Extensionista da PUC-Campinas (mapas)

[4] Graduando em Economia e Extensionista da PUC-Campinas (curva epidemiológica)

[5] Graduanda em Administração pela PUC-Campinas e Extensionista da PUC-Campinas (atualização de dados semanais)

[6] Graduando em Economia e Extensionista da PUC-Campinas (atualização de dados semanais)

[7] Dados do Ministério da Saúde

[8] Recorte menor do Departamento Regional de Saúde de Campinas, com 19 municípios do DRS-Campinas mais Engenheiro Coelho.

[9] – https://www.seade.gov.br/coronavirus/#

[10] – https://covid-19.campinas.sp.gov.br/epidemiologico/diario 

[11] – https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2021/06/04/amparo-inicia-1o-final-de-semana-de-lockdown-com-supermercados-e-postos-de-combustiveis-fechados-veja-regras.ghtml

[12] – https://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=40724

[13] – https://vacina.campinas.sp.gov.br/vacinas/covid-19



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